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Decidi procurar por “Paulo Maluf” no orkut.

Apareceram inúmeros perfis de um dos grandes políticos de São Paulo. Todos falsos.
Os perfis, não os políticos.

Analisando o amor que os criadores de seu perfil lhe dedicam, um me chamou mais a atenção: o que se dizia “o único verdadeiro”.

E eis que, na página de recados....

http://www.orkut.com.br/Main#Scrapbook.aspx?rl=lo&uid=6802591535439996416

euclides:

ola gde amigo
sempre fui seu eleitor e agora chegou a hora de lhe pedir um favor se possivel
preciso de uma apresentacao sua para meu filho que morou nos usa 15 anos e agora esta aqui comigo sem emprego
a especialidade dele e em fabrica de montagem de veiculos
uma indicacao seria otimo pois a capacidade so ele pode demonstrar,mas o importante e abrir uma porta
fico lhe muito grato pela sua ajuda se possivel
abracos
euclides

cicero:

Estou ocupando um pouco de sua pagina de recado não so pra encher seus recados mas sim preciso de vc nao sei se alguem ja se passou por isso e que sofri um acidente estou sem trabalho peço a todos uma ajuda,praticava atletismo estou sem treinar devido a minha clavicula quebrada ...

Agencia:3561-0 conta poupança:18.296-6
*banco do brasil
nome:cícero valmir de oliveira.
não importa a quantia só quero uma ajuda por favor!
NEM QUE SEJA UM REAL SE NÃO LHE FIZER FALTA.

Que tristeza. Que tristeza constatar, sempre e cada vez mais, em que neste país de miseráveis, que atende apenas a 1% da população, os mais ricos, o que continua valendo é a política do favor, da cesta-básica, do emprego, da dentadura.

Costumamos xingar os políticos porque “compram” votos. O que nós esquecemos é que, para alguém poder comprar alguma coisa, outra pessoa tem que estar vendendo.

E vender o voto é com o eleitor brasileiro mesmo: pede um favorzinho aqui, vai a um jantar eleitoral ali, e de bucho cheio, o presente nas mãos e o santinho grampeado na testa, vai, feliz da vida, votar!

Um dos motivos pelos quais nossos líderes não prestam é esse: com um povo miserável, que se vende, e pior, se vende por tão pouco, um povo que, ao ver de muitos, não presta, como é possível eleger pessoas decentes?

Como é possível, se os que mais compram votos são os que acabam ganhando? E como é possível que, de um povo que se vende tanto, surja algum político que não compre?

É o voto da mendicância: “nem que seja um real se não lhe fizer falta, faz favô...”

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Carlos Cavalcanti é formado em Direito pela Unicuritiba, tendo feito parte do curso na PUC-Campinas.

Nasceu em São Paulo, capital, cresceu em Curitiba, e foi aos 18 morar com com seus avôs em Indaiatuba-SP.

Entrou na USP, no curso de Física. Cursou um mês em São Carlos, interior de São Paulo, e dois anos na capital. Abandonou o curso, fez mais um ano de cursinho e entrou em Direito na PUC-Campinas, cidade onde morou por um ano e meio. Por um namoro, decidiu retornar a Curitiba, onde terminou seus estudos.

Em 1996, morando no interior de São Paulo, na cidade de Indaiatuba, entrou para o PMDB. No ano seguinte, tornou-se Secretário-Geral da juventude do partido, a JPMDB.

O momento em que esteve mais feliz em sua atuação partidária foi quando, por ocasião de uma campanha à prefeitura de Indaiatuba, trabalhou numa barraquinha distribuindo cachorros-quentes em uma comunidade carente. A alegria das crianças em comerem aquela "iguaria" era indescritível.

Esse foi o maior aprendizado que teve na política até hoje: em um país miserável, é fácil dominar o povo. Um cachorro-quente, uma dentadura, um emprego, uma cadeira-de-rodas: para quem do Estado não recebe nada e nada tem, isso é tudo o que importa. Os próprios responsáveis pela miséria do povo lhe jogam migalhas, como se fizessem um favor, e o povo carente vende seu voto e lhes concede eterna gratidão. E assim, o próprio povo é quem mantém o jugo, o domínio, daqueles que irão lhe roubar e mantê-los na miséria.

Fatores como esse, da política coronelista típica da região e o poder das oligarquias, acabaram por afastá-lo da política por alguns anos.

Em 2005, já estabelecido de volta a Curitiba, entrou para o PPS. No ano seguinte, em 2006, era o favorito para assumir a presidência da juventude do partido, mas o jogo da política, que ele ainda não dominava bem, acabou levando a melhor, e a Juventude ficou com o pior candidato.

Foi assumir a Presidência da JPS, juventude do PPS, apenas dois anos depois, em Janeiro de 2007, recebendo em mãos uma JPS falida e vazia. Na juventude do município de Curitiba havia apenas um membro: ele mesmo.

Através de muito trabalho e dedicacão, re-ergueu a juventude, trazendo sozinho mais quatro membros, sem qualquer tipo de ajuda ou reconhecimento. Passou a fazer reuniões semanais com os jovens, e desempenhou várias atividades pela juventude e pelo partido.

Frequentou debates na Câmara Municipal e na Assembléia Legislativa, sobre educação, passe-livre e outros temas de interesse social, e comandou divulgações do programa Fala-Paraná, com a proposta de governo para o estado, nas universidades Unicuritiba e PUC-Curitiba, onde contou até mesmo com a presença de Rubens Bueno, maior expoente do partido no estado.

Por atingir a idade máxima, deixou a JPS e exerce atividades políticas apenas no PPS. Quem sabe o que o futuro reserva?

Se houver trabalho, visão e uma profunda crença naquilo que se faz, os bons frutos, como sempre, virão.

Porque neste país, nesta terra maravilhosa, livre de terremotos e furacões, tão rica em matas, em solo fértil, em minérios, petróleo, quedas d´água para a construção de hidrelétricas, tão repleto de rios, com uma imensa extensão de oceano, plantando, tudo dá.

Temos a Amazônia! Tão rica em espécies animais e vegetais, tão rica em medicamentos vindos das plantas, em seringueiras, em populações indígenas.

E mesmo assim, vivemos na miséria. De um lado, uma multidão de miseráveis, que assalta e rouba os que estão do outro lado, os ricos ou os que pelo menos, têm alguma coisa. Não é incrível essa situação?

Pior que isso, ainda temos a Amazônia, mas não por muito tempo.

A taxa de desmatamento é altíssima, e só fez aumentar até hoje. Durante algum tempo a floresta, com toda sua força, ainda teve poderes regenerativos maiores do que os poderes daqueles que lhe extraíam a vida. Mas há muito tempo que a extração é em tamanha larga escala, que supera a capacidade de cura da floresta.

É uma batalha que a Amazônia está perdendo. Que vários rios brasileiros já perderam. Nossos rios estão polúidos, nosso ar está poluído, e nosso solo está sendo devastado. E nosso povo está prostrado, envenenado e em um torpor grande demais para reagir e ver o que está acontecendo.

Até quando, meu Deus. Até quando.

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Este vídeo é sensacional.

Feito pela Tides Foundation, pela Funders Workgroup for Sustainable Production and Consumption e pelo Free Range Studios, chama-se "The Story of Stuff", a História das Coisas.Mostra como funciona a cadeia de produção, da extração até até o dejeto (lixo), e como isso afeta a nós e ao nosso planeta.

O vídeo tem um apelo importantíssimo. Não se trata de ser a favor ou contra o aborto, ou de dizer se Deus existe ou não. Trata-se de viver em um lugar, no caso, este planeta, e de esgotar os recursos que o local tem a oferecer.

Veja aqui o vídeo:

Falar em escala planetária é algo grande demais, algo que não conseguimos apreender, entender. Para mostrar a importância do assunto, que diz respeito a todos nós, tanto quanto se fosse um cometa gigantesco prestes a chocar-se contra nosso planeta, vou falar sobre algo que aconteceu há muito tempo, onde hoje é chamado de Ilha de Páscoa.

Descoberta por um Capitão Holandês em 1722, a Ilha tem uma triste e verídica história. Em alguns séculos, o povo da Ilha de Páscoa cortou todas as árvores da Ilha, levou a vida vegetal e animal à extinção, e após um curto período de canibalismo, pois não havia mais o que comer, e não se podia ir pescar, pois não haviam árvores para fazer canoas, eles mesmos foram extintos.

http://www.hartford-hwp.com/archives/24/042.html

De forma bem resumida, o culto religioso dos habitantes da Ilha dedicava-se a construir grandes estátuas de Pedra, os Moai, com propriedades tais que atraem raios, e ao serem atingidos, os olhos e partes da coroa da estátua brilham.

Todos os recursos eram direcionados para a construção e colocação dos Moai. Eram necessários quase todos os homens da ilha, muitas árvores para construir e levar as cabeças de pedra até o local sagrado, e erguê-las.

Após séculos de abuso naquele ecossistema tão pequeno, com a população aumentando e todos os principais esforços voltados para as estátuas, a comida começou a faltar. Não havia mata suficiente, e não haviam animais suficientes. A pesca era desencorajada, pois as árvores eram exclusivas da religião, não se podia utilizar as árvores, pois elas faziam parte do esforço de construção das estátuas.

A situação se agravou. Os líderes religiosos disseram que os deuses estavam zangados. Era preciso construir mais estátuas! E assim fizeram. A situação continou piorando, e os esforços foram intensificados: mais estátuas! Mais estátuas! Os deuses exigem!

Finalmente, a última árvore foi tombada, em uma ilha devastada, onde fogueiras se erguiam por toda parte, parte do processo de construção das estátuas.

A comida acabou, e ficou evidente que os deuses realmente deviam estar muito putos. Sendo uma ilha, a solução óbvia seria a pescaria. Mas não havia como ir pescar, pois não haviam mais árvores para construir canoas, jangadas e remos. Não era possível nem mesmo sair da ilha. A pesca que podia ser feita a partir do solo, utilizando linha e anzol, era simplesmente insuficiente para alimentar todos.

Era uma sociedade complexa, uma verdadeira civilização, com o que até poderiámos chamar de uma cidade. Haviam magistrados, haviam policiais, haviam líderes religiosos, trabalhadores, soldados. Quando a fome realmente se instalou, veio o caos.

Primeiro, a sociedade se partiu, e ficou divida em clãs guerreiros: todos se armaram, e foram à guerra. Os que morriam eram devorados. Depois, virou "cada um por si", e quem matava, comia. Quem não matava, morria. E os líderes religiosos no meio de tudo isso, que foram quem começou com tudo isso?

Imagino que, tal como no filme "A Névoa", primeiro os Sacerdotes disseram que os "pecadores" deveriam ser devorados.

Depois os mais fracos, doentes e deficientes. Depois as crianças. Depois as mulheres. Depois os que não eram os mais fortes. Eventualmente, até mesmo os sacerdotes tiveram seus ossos roídos por bocas famintas.

E quando o último terminou de devorar o penúltimo, não havia mais ninguém para comer. E o último habitante da ilha morreu de fome.

Como li em algum lugar, quando li a respeito desta história:

"Imagino o que foi que pensaram os homens, quando cortaram a última árvore de toda a Ilha".


E digo mais. No início, alguém deve ter dito que uma hora os recursos iriam acabar. Como havia muito de tudo, ninguém acreditou.

No meio, alguém deve ter dito que aquilo não ia terminar bem. Como ainda havia o bastante, ninguém deu atenção.

No fim, quando tudo terminou, ninguém falou nada. Porque era óbvio que terminou mal, e que terminou tudo.

E porque estavam todos ocupados tentando agarrar alguém com os dentes.

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Na edição de 20 de agosto de 2008 (20/10/2008), a Veja, arauto das elites, publicou a reportagem “O que estão ensinando a ele?”, assinada por Monica Weinberg e Camila Pereira:

“Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado.”

E a resposta da viúva de Freire, Ana Maria Araújo Freire:

“Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE — e um dos maiores de toda a história da humanidade –, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do “filósofo” e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu “Norte” e “Bíblia”, esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire”

Fonte:

http://josekuller.wordpress.com/2008/09/14/paulo-freire-veja-pisa-na-bola-de-novo/